Crescendo e preservando

Todas as organizações nascem com um objetivo comum: prosperar. Visando o lucro ou outro tipo de retorno, elas compartilham essa necessidade. Mas nem todas conseguem. Segundo dados publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 48,2% das empresas abertas no país em 2007 não chegaram a 2010 ou seja, quase metade não durou nem três anos. Mas o que isso tem a ver com sustentabilidade ou visão global?

Sabemos que, cada vez mais, é fundamental que as empresas adequem seus pensamentos, ideais e ações às práticas sustentáveis. A preocupação com o mundo em que vivemos se tornou vital para o sucesso corporativo. Conversamos com o consultor João Paulo Altenfelder, que falou sobre a intrínseca relação entre a sustentabilidade e o sustento das empresas

Data da publicação: 12/08/2014
  • UniverSeg Quais as funções da sustentabilidade no mundo dos negócios?

  • Ela serve para duas coisas: para criar ou proteger valor. Nunca encontramos uma terceira função dentro do modelo de negócios.

  • UniverSeg Quando falamos em valor, a que estamos nos referindo?

  • Existem dois tipos de valores, os financeiros e os econômicos. No primeiro grupo está tudo aquilo que vai para o balanço: vendas, multas, passivos, estoque, estrutura... Enfim, ativos tangíveis. Mas não é possível pensar em uma empresa apenas por seus valores financeiros. Há também o valor econômico, intangível. Nesse caso estão pesquisa, qualidade de recursos humanos, marca, reputação e muitos outros.

  • UniverSeg A sustentabilidade se relaciona a todos esses valores?

  • Sim, mas principalmente com a construção daqueles que virão a médio ou longo prazo. Claro que ela está mais ligada a valores econômicos e intangíveis, mas também pode ter relação com valores financeiros. Por exemplo, na adoção de uma nova tecnologia, limpa, que trará melhores resultados a uma indústria.

  • UniverSeg De que forma a sustentabilidade é aplicada para criar ou proteger esses valores?

  • Depende do momento da empresa em seu setor, da análise que ela fará sobre sua posição no mercado. Só assim ela poderá encontrar questões sobre criar ou proteger valor. Vamos imaginar o setor de papel e celulose: uma companhia que está entrando no mercado certamente vai verificar que tem mais oportunidades de criar valores, referenciais de marca, se desenvolver produtos equilibrados. Ela não tem a obrigação de proteger seus valores. Qualquer empresa terá de fazer uma análise de sua atuação, de seu setor de seu mercado, de sua cadeia. É fundamental, também, explorar ao máximo a ideia de valor compartilhado entre empresa e sociedade. No fim, a sustentabilidade acaba por garantir a manutenção do mercado onde a empresa atua. Se o mundo não estiver em boas condições, a empresa não tem mercado, não tem clientes.

  • UniverSeg A adoção de práticas sustentáveis é questão de opção ou de sobrevivência?

  • Empresas que não se preocupam com isso poderão ser fortemente penalizadas. A sociedade avançou, e os marcos regulatórios estão se tornando mais apertados, principalmente em relação à água. Além disso, as empresas mais sustentáveis e mais eficientes serão mais rentáveis. Nós vamos ter, nos próximos 10 ou 20 anos, uma sociedade de negócio totalmente diferente da atual.

  • UniverSeg Então podemos dizer que é errada a afirmação de que é mais caro ser sustentável?

  • Sim, é uma falácia dizer que sustentabilidade aumenta preço. Ser sustentável não necessariamente significa ser mais caro, mas é claro que há processos de adaptação que trazem novos gastos. De toda forma, você pode ter estratégias sustentáveis inclusive para reduzir custo de produtos, para trazer eficiência para sua cadeia de negócios, principalmente para as indústrias, que hoje têm o desafio de produzir mais por menos. Qualquer empresa de melhor produtividade e alta preocupação ambiental vai reduzir custos, vai usar menos água, menos matériaprima, terá menos desperdício.

  • UniverSeg Nosso país estaria bem colocado se houvesse um ranking internacional de sustentabilidade empresarial?

  • É muito difícil dizer de uma forma geral, mas em alguns setores, como a bioenergia, o Brasil é uma referência. Até mesmo no setor de papel e celulose, sobre o qual já falamos, estamos bem. Mas em outras áreas, nem tanto. Por exemplo, as companhias aéreas europeias já testam possibilidades de poluir menos através de seus combustíveis ou do avanço tecnológico das aeronaves. Nesse ponto, estamos atrás.